quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Como sei o que é uma seita?


Não há uma definição mundial de comum acordo a respeito do que caracteriza uma seita. Existem apenas algumas características gerais que nos permitem reconhecê-las. Há hoje três diferentes dimensões de seitas: doutrináriassociológicas e morais. Vamos examinar brevemente cada uma delas, tendo em mente que nem todas as seitas apresentam todas as características aqui apresentadas.
Características Doutrinárias de uma Seita
É típico das seitas dar ênfase a novas revelações “recebidas de Deus”, negar a autoridade única da Bíblia, negar a Trindade, apresentar uma visão distorcida de Deus e de Jesus e, principalmente, rejeitar a salvação pela graça.
Nova revelação — Muitos líderes de seitas afirmam ter um canal direto de comunicação com Deus. Como os ensinamentos das seitas são frequentemente mudados, precisam constantemente de novas “revelações” para justificar tais mudanças. Os mórmons, por exemplo, por anos excluíram os negros do sacerdócio, e quando a pressão social sobre essa forma de racismo exigiu mudança, o presidente dos mórmons “recebeu uma nova revelação”. Coisa semelhante se deu com as testemunhas de Jeová, com relação à vacinação e doação de órgãos.
Negam a autoridade da Bíblia – As seitas negam a autoridade exclusiva da Bíblia como regra de fé e prática, e dão maior importância aos livros escritos por seus fundadores e sucessores.
Visão distorcida de Deus e de Jesus – Negar a Trindade Divina e a divindade de Jesus é outro traço comum das seitas. Não aceitar a ressurreição do Senhor é outro ponto comum entre as seitas, que disseminam diversas explicações, muitas delas fantasiosas, para o relato dos evangelhos.
Negam a salvação pela graça — As seitas geralmente negam que a salvação é dada pela graça de Deus, distorcendo assim a pureza do Evangelho. Os mórmons, por exemplo, enfatizam a necessidade de nos tornarmos mais e mais perfeitos nesta vida. As Testemunhas de Jeová dão ênfase à distribuição de literatura da Torre de Vigia de porta em porta, como parte do trabalho para “alcançar” a sua salvação.
A partir desse breve exame acima, fica claro que todas as seitas negam uma ou mais das doutrinas básicas do Cristianismo.
Características Sociológicas de uma Seita
Além das características doutrinárias das seitas, muitas delas (não todas) também possuem os traços sociológicos que vamos abordar de forma breve.
Autoritarismo — O autoritarismo envolve a aceitação de uma figura de autoridade, que frequentemente utiliza técnicas de controle mental sobre os membros do grupo. Como profeta e/ou fundador, a palavra desse líder é considerada final.
Em contraste com o fundador de uma seita, o líder cristão lidera as pessoas através do amor, e não do medo. Influencia por amor, não por ódio. Procura motivar os corações, mas não tenta controlar os pensamentos. Lidera os seus seguidores como um pastor lidera ovelhas; não as conduz como bodes.
Exclusivismo — Outra característica das seitas é um exclusivismo que declara: “Somente nós temos a verdade”. Cada seita reivindica ser a comunidade exclusiva dos salvos.
Dogmatismo — Relacionadas de perto com o exposto acima, muitas seitas são dogmáticas — e esse dogmatismo é frequentemente expresso de forma institucional. Por exemplo, os mórmons declaram ser a única igreja verdadeira na terra. As Testemunhas de Jeová dizem que a Sociedade Torre de Vigia é a única voz de Jeová na terra. Muitas seitas acreditam ter a verdade dentro de uma pasta, como se ela ali estivesse, e somente elas estão de posse dos oráculos divinos.
Mentes fechadas — De mãos dadas com o dogmatismo está a característica de possuir mentes fechadas. Essa indisposição de ao menos considerar qualquer outro ponto de vista tem frequentes manifestações radicais. Um mórmon educado que encontramos nos disse que não lhe importaria se pudesse ser provado que Joseph Smith foi um falso profeta; ele ainda assim continuaria sendo um mórmon. Um homem testemunha de Jeová recusou-se a concluir a leitura de um artigo que provava a divindade de Cristo, porque “isso está incomodando a minha fé”, disse ele.
Susceptibilidade — O perfil psicológico de muitas pessoas que são “sugadas” para dentro de seitas não é do tipo bajulador. Geralmente as pessoas que se juntam a uma seita são altamente incautas e até mesmo psicologicamente vulneráveis. Membros de seitas frequentemente aceitam ensinos tomados por uma fé cega, insensível à argumentação sensata. Um missionário mórmon declarou que acreditaria no Livro de Mórmon, ainda que o livro dissesse que existem círculos quadrados!
Isolamento — As seitas mais extremistas criam às vezes fronteiras fortificadas, frequentemente precipitando finais trágicos. Desertores são considerados traidores, passando a correr risco de vida e sendo perseguidos pelos membros mais zelosos da seita. Em muitos casos, diz-se aos membros da seita que se abandonarem o grupo serão atacados e destruídos por Satanás. A construção de tais barreiras, seja de caráter físico, seja de caráter psicológico, cria um ambiente de isolamento que, por sua vez, leva ao antagonismo.
Antagonismo — Em um contexto de isolamento, são gerados tanto o medo como o sentimento de hostilidade em relação ao mundo exterior. Todos os outros grupos são considerados apóstatas, “o inimigo” e “as ferramentas de Satanás”.
Características Morais de uma Seita
No topo dos traços doutrinários e sociológicos das seitas existem também algumas dimensões morais a ser consideradas. Em meio às seitas que brotam, estão muito presentes o legalismo, a perversão sexual, a intolerância, abusos psicológicos e até mesmo físicos. Vale lembrar que nem todas as seitas manifestam cada uma dessas características.
Legalismo — Para muitas seitas, é comum o estabelecimento de um rigoroso conjunto de regras que devem ser obrigatoriamente vividas pelos devotos. Esses padrões são usualmente extrabíblicos. O ensino mórmon que proíbe o uso de café, chá, ou qualquer bebida que contenha cafeína é um caso típico. O requisito imposto pela Sociedade Torre de Vigia para que as Testemunhas de Jeová distribuam literatura de porta em porta é outro exemplo. O ascetismo do tipo monástico, com sua rigorosa obrigatoriedade de cumprimento de regras, é frequentemente visto como um meio de se alcançar o favor de Deus.
Perversão sexual — Lado a lado com o legalismo, o vício gêmeo da perversidade moral é bastante encontrado nas seitas. Joseph Smith (e outros líderes mórmons) teve muitas esposas. David Koresh afirmou possuir todas as mulheres em seu grupo, até mesmo as meninas mais novas. De acordo com uma revelação através de uma reportagem em 1989, meninas da idade de dez anos estavam incluídas. A seita Meninos de Deus tem utilizado, através de sua história, técnicas de “pescaria através do flerte”, com a finalidade de atrair pessoas para a seita, com apelos sexuais. Foi denunciada a prática de sexo entre adultos e crianças dentro dessa seita.
Abuso físico — De forma trágica, algumas seitas empenham-se em aplicar diferentes formas de abuso físico. Êx.-adeptos de seitas acusam com frequência seus ex-líderes de concentrarem-se em espancamentos, privação do sono, severa privação de alimentos e agressões a crianças até que estas ficassem queimadas ou sangrando. Às vezes, há acusações de abusos ritualísticos satânicos, embora tais fatos raramente sejam levados a conhecimento público. Contudo, os abusos psicológicos como o medo, a intimidação e o isolamento são mais comuns.
Intolerância para com as outras pessoas — Tolerância religiosa não é uma das virtudes da mentalidade das seitas. A intolerância é frequentemente manifestada através de hostilidades, culminando algumas vezes com assassinatos. Os muçulmanos radicais são conhecidos por esse tipo de comportamento.
A METODOLOGIA EMPREGADA PELAS SEITAS
As seitas são bem conhecidas pelo emprego de seus métodos questionáveis. Por exemplo, as seitas se concentram em decepções morais e processos agressivos de proselitismo. Vamos analisar isso de forma resumida.
Decepção moral —Duplicidade e mentiras são usadas para ganhar adeptos ao movimento. É muito comum o emprego de termos cristãos pelas seitas, porém com novos significados. Dessa maneira, cristãos destreinados são enganados e conduzidos a pensar que a seita é cristã. Por exemplo, as seitas ligadas ao Movimento da Nova Era utilizam os termos “ressurreição” e “ascensão”, querendo expressar a “ascensão” da conscientização cristã no mundo. O tão familiar termo cristão “nascido de novo” é muito empregado pela Nova Era para dar suporte à doutrina da reencarnação. O termo “o Cristo” é utilizado pelos adeptos da Nova Era visando atrair os cristãos, mas para eles o significado verdadeiro desse termo é “um ofício oculto desempenhado por vários personagens na história”.
Proselitismo agressivo — É normal em todas as religiões empregar esforços para trazer outras pessoas para a sua fé. O Cristianismo, o Judaísmo, o Islamismo e até mesmo certas formas de Hinduísmo e Budismo procuram converter pessoas às suas crenças. As seitas, contudo, levam as atividades proselitistas ao extremo. Seu excessivo esforço proselitista constitui uma tentativa de obtenção da aprovação de Deus. Trabalham para a graça, ao invés de trabalhar a partir da graça, como a Bíblia ensina (IICo. 5.14). Algumas vezes os seus esforços são empregados em favor da satisfação de seus próprios egos. Muitas vezes seu proselitismo ultrazeloso envolve evangelismo impessoal ou pessoas escusas. Tanto os mórmons como as testemunhas de Jeová possuem extensos programas de proselitismo porta a porta, embora sejam usualmente menos ofensivos em sua abordagem.
Preparado e compilado pelo Pr. Edisom Miranda

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